Erosão ácida e abrasão

Em todas as pessoas, ocorre algum grau de desgaste dental ao longo da vida, mas em alguns indivíduos, o desgaste alcança níveis patológicos. Prof. Martin Addy, Universidade de Bristol 2 Photo of Dr Martin Addy

Resumo

O século XX assistiu a grandes avanços na odontologia e na saúde oral. As cáries e as doenças periodontais têm sido controladas e hoje em dia os casos em que dentes são extraídos são bastante reduzidos. A longevidade da dentição natural tem sido prolongada para muito mais pessoas. Uma melhor higiene oral é um dos principais fatores que contribuem para este fato - ótimas notícias para a saúde pública e para a qualidade de vida das pessoas.

Contudo, os dentistas estão observando um paradoxo: estes dentes saudáveis e duradouros estão cada vez mais mostrando sinais de desgaste. Na Europa, segundo os dentistas, a causa principal é a erosão ácida. 1

A erosão ácida está fortemente ligada ao consumo de bebidas e alimentos ácidos. Estes desmineralizam e amolecem a superfície do dente, tornando-o mais susceptível à abrasão, especialmente através da escovação. 2

Nas suas primeiras fases, o desgaste dental parece inofensivo. Contudo, ao progredir, ele pode resultar na hipersensibilidade dentinária, perda da forma e da cor do dente, ou na necessidade de uma complexa intervenção restaurativa. Muitas pessoas permanecem alheias às conseqüências do desgaste dental e desconhecem as medidas que podem ser tomadas para proteger os dentes deste processo lento e nem sempre percebido.

No FDI World Dental Federation Congress de 2005, especialistas internacionais revisaram a prevalência, etiologia, fisiopatologia e controle do desgaste dental a frente de um público recorde de mais de 900 dentistas. Todos concordaram que a erosão ácida está se tornando um problema significativo.

  1. Bartlett DW. The role of erosion in tooth wear: aetiology, prevention and management Int Den J 2005; 55: 277-284.
  2. Addy M. Tooth brushing, tooth wear and dentine hypersensitivity - are they associated? Int Den J 2005; 55: 261-267.